sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Romance. Amir era um menino rico que morava em Cabul, no Afeganistão, em uma bela casa. Seu pai (baba, como o chamava) era um bem-sucedido homem de negócios que tinha o hábito de fumar cachimbo e conversar sobre política e futebol com seu amigo e sócio Khalim Khan. Sua mãe morreu no parto, fato qual o incomodava. Amir sempre suspeitou de que a forma ríspida e grosseira como baba o tratava no fundo tinha ver com a morte de sua mãe. Sentia-se culpado por ter tirado a vida da mulher que baba amava, de sua companheira. Khalim Khan, ao contrário de seu pai, era gentil e acolhedor. Sempre estimulava Amir à escrita de contos, fato que mais tarde lhe contemplaria com uma bem-sucedida carreira de escritor. Amir passou a sua infância ao lado de Hassan, filho de Ali (o criado da casa). Hassan era um menino de etnia Hazara, a qual não era muito bem-vista pela burguesia de Cabul. Mas, mesmo com as provocações das outras crianças, andavam juntos, assistiam filmes de faroeste americano, Amir lia livros para Hassan -pois este era analfabeto- e, principalmente, empinavam pipas. Amir era bom nisso. Mas não tão bom quanto Hassan para apanhá-las. No entanto, certo fato lhe causava estranheza: o menino Hazara era absolutamente submisso às suas ordens. No fundo, Amir se sentia desconfortável com isso.
Às vezes, ao saírem para a rua, os dois se deparavam com situações de preconceito racial. Talvez a mais marcante tenha sido a que, em certa tarde, Assef -garoto burguês seguidor dos ensinamentos de Hitler- e mais dois garotos ofenderam Amir por andar ao lado de um Hazara. Hassan defendeu seu amigo apontando o estilingue armado para Assef. Os dois jovens foram embora, enquanto Assef furioso jurou vingança.
Em certa ocasião, houve o grande concurso de pipas no bairro onde viviam. Era um concurso muito tradicional e todas as crianças da região participavam. Amir, com ajuda de seu fiel companheiro, conseguiu derrubar a última pipa e consagrou-se campeão da competição. Ao final desta, deu ordens para que Hassan fosse apanhá-la antes que os outros meninos do bairro a encontrassem. Ela caiu em um beco. Em um beco fechado. Ao entrar no beco, Hassan olhou para trás e se viu cercado por Assef e seus dois comparsas. Assef exigiu que lhe desse a pipa. Hassan negou, alegando que a pipa pertencia ao seu amigo, que venceu o concurso. Assef se irritou e, com ajuda de seus cúmplices estuprou o menino Hazara. Amir assistiu à cena escondido, porém, não tomou atitude alguma para proteger seu amigo. Fato que mais tarde mexeria com sua mente. Ao chegar em casa pode constatar o orgulho absoluto de baba. Agora as coisas mudaram: baba tinha um motivo para ter orgulho de seu filho. Mas Amir não parava de pensar no que aconteceu com Hassan.
Desconfortável e imerso em sentimento de auto-desprezo, Amir nunca mais conseguiu brincar com Hassan e passou a evitá-lo. Chegou ao ponto de colocar um relógio no quarto de Hassan e acusá-lo de roubo. Quando baba questionou Hassan sobre o fato, na frente de Ali -pai de Hassan e seu fiel criado- o mesmo, em um ato de fidelidade inquestionável, alegou que praticara o furto, para não prejudicar Amir. Imediatamente Ali sugeriu que ele e seu filho deveriam partir. Baba disse que não havia necessidade, que estava perdoado. Mesmo assim, ele e Hassan foram embora, para outra cidade. Era a última vez que Amir veria Hassan.
A Rússia invade o Afeganistão. Baba e Amir fogem com o que podem para a América. Viagem esta que foi marcada por uma tentativa de estrupo de um jovem soldado russo para com uma refugiada afegã, evento no qual baba interferiu desafiando o soldado. Todos saíram ilesos.
Ao chegar na América, alugaram um apartamento e compraram uma kombi, com a qual trabalhavam comprando bugigangas e vendendo-as em um mercado de diversidades, onde eles e outros afegãos comercializavam de tudo. Foi neste mercado que Amir conheceu Soraia, a filha do Coronel de Cabul, sua futura esposa.
Casaram-se.
Quando Amir e Soraia se casaram, baba já estava doente. Câncer. Tossia sangue. Algum tempo depois baba falece.
Durante todo o tempo em que passou na Améria, até então, não havia mais tido notícias de Hassan e muito menos de Kharin Khan.
O jovem casal tinha um desejo: ter um filho. No entanto, não foram abençoados com este poder, mesmo os exames mostrando que ambos eram férteis.
Anos mais tarde, Amir recebe um telefonema de Kharim Khan, solicitando que vá ao Afeganistão. No telefonema Kharim diz que é possível fazer "tudo voltar a ser como antes". Amir vai ao Afeganistão e encontra Kharim em um apartamento velho e sujo. O velho amigo estava em seus momentos finais, cuspindo muito sangue. É neste momento que uma grande verdade é revelada: Hassan é seu irmão. Baba havia proferido a mulher de Ali, seu criado. Isso mexeu com sua cabeça. Ficou transtornado. Saiu do apartamento. Depois voltou, mais calmo. Kharim lhe contou que Hassan casou e teve um filho. Contou também que Hassan e sua esposa foram mortos pelos Talebãs. E também fez seu último pedido: levar o filho de Hassan, que se chamava Sohrab, à um casal de estrangeiros que moravam em outra cidade. Amir reluta, mas atende ao pedido e inicia uma aventura em busca do garoto.
Amir, com ajuda de um motorista local, localiza uma pista de Sohrab em um orfanato local: fora levado por um pedófilo general talebã. Amir se desespera.
Amir e o motorista encontraram o tal general após algumas execuções no intervalo de um jogo de futebol. O general marcou um horário em sua residência particular para discutir a questão do menino. Amir topou.
Ao chegar na residência do general, Amir passou por uma rigorosa revista dos soldados talebãs, armados até os dentes, e teve uma surpresa: ao tirar os trajes da face, pode ver a real identidade do líder-general-pedófilo. Era assustador. Não, era pior. Era Assef.
Assef deu ordens aos seus homens que deixassem o vencedor do duelo sair. No mesmo momento, Sohrab entra na sala, com os olhos pintados, de forma à caracterizar-lhe feição feminina. Assef o apresentou à Amir. Amir ficou irritado ao ver o que Assef fez com seu sobrinho, o filho de Hassan, seu companheiro de infância. Iniciaram o duelo. Amir ficou desfigurado. Sua face estava inidentificável. Só não foi morto porque, inesperadamente, o pequeno Sohrab atirou, com ajuda de um estilingue, uma peça de metal que ficou cravada no olho de Assef. O garoto e seu tio fugiram com o motorista que estava esperando do lado de fora.
Após algumas semanas de tratamento e com praticamente todos os membros do corpo enfaixados e com pinos de titânio, Amir recebe a notícia de que o casal que cuidaria de Sohrab nunca existiu. Decide, com o apoio de sua esposa Soraia, adotar Sohrab, porém, a lei não os ampara. Soraia então busca contato com alguns amigos da imigração. Avisa Amir que iria demorar alguns dias. Talvez desse certo, talvez não. Neste meio tempo, Amir e Sohrab ficam em um hotel. Sohrab fica traumatizado ao receber a notícia de que talvez tivesse de voltar para um orfanato. Para de falar.
Dias depois, Soraia deu a boa notícia: a documentação estava liberada para que Amir trouxesse Sohrab à América. Sohrab aceitou. E assim conteceu.
Sohrab por muitos anos permaneceu mudo, sem falar.
Certa tarde, os três foram ao parque. Amir visualizou alguns meninos empinando pipas. Comprou uma e convidou Sohrab à participar. Ele aceitou. O menino triste e introspectivo contemplou-lhe com um simples e tímido sorriso com um dos lados da boca. E nunca mais voltou a falar. Mas este sorriso caracterizava o início de uma outra história. Amir agora talvez não se sentisse tão culpado. Era uma nova vida. Uma vida com um pouco menos de culpa pelo passado.
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